Laços
Capítulo 02 – Hérica Schmidt
Hérica era apenas mais uma garota normal em meio ao mundo caótico em que vivemos. No alto de seus 17 anos só pensava em viver o presente. Não tinha grandes ambições senão as que a maioria dos jovens têm: viver a vida em toda sua intensidade.
Ela morava em Balneário Camboriú desde que nasceu. Seu pai era empresário e a mãe dona de casa. Estudava em colégio particular. Filha única, sempre foi paparicada pelos pais e como a condição financeira da família era segura, raramente recebia um não ao pedir algo. Não fazia esportes e odiava o sol. Vivia na frente do computador conversando com as amigas do colégio e fazendo novas amizades virtuais. Porém na noite passada algo havia mudado…
Foi uma noite difícil para aquela menina de cabelos ruivos, olhos castanhos, rosto de traços delicados e pele branquíssima. Hérica namorava com um garoto que morava em outra cidade, separada da dela por algumas centenas de quilômetros. Charles e Hérica se conheceram pela internet, via Orkut, mas não demorou muito para que criassem um vínculo afetivo sólido. Em questão de três meses já estavam namorando e criando planos para o futuro, porém nunca haviam se encontrado até então.
Hérica ignorava os conselhos das amigas que diziam que aquela relação não iria durar. Ela tinha certeza de que Charles era sua alma gêmea e que iriam derrubar todas as barreiras do tempo, distância, saudade e ciúmes, sendo assim um casal feliz para sempre. O que a garota não esperava era que Charles terminaria o namoro naquela noite outubro alegando que estava interessado em outra garota.
A garota virou a madrugada tentando convencer Charles a voltar atrás na sua decisão e provar que ele somente seria feliz ao lado dela. Naquela noite, Hérica passou por vários estágios de humor, sendo que após 6 horas de discussão ela terminou a conversa via MSN dando a entender que a última de suas personalidades seria a de uma garota frágil e desesperada, a ponto de cometer a última loucura que uma pessoa pode fazer.
Desligou o messenger sem se despedir, trocou o pijama por uma roupa qualquer e saiu para a rua. Andou por duas horas sem destino até parar em um banco na beira-mar da cidade, onde ficou chorando inconsolavelmente olhando para o horizonte, mas focalizando no nada. Porém não deixou de reparar em um pequeno barco que navegava pelo mar. A pequena embarcação veio do sul e ancorou em meio ao oceano em frente de seus olhos.
Continua…
Laços
Capítulo 01 – Hugo Fontes
Hugo abriu os olhos para mais um dia normal de sua vida. Há três anos sua rotina permanecia a mesma: acordar cedo, comer uma fruta da estação, tomar banho e ir para as ruas atrás de um emprego. Já fazia algum tempo que esquecera suas exigências e procurava qualquer ocupação, pois a vida, que já não era fácil, parecia piorar a cada dia. Suas expectativas já estavam reduzidas a meros sonhos consumistas medianos, como uma motocicleta, uma televisão, um fogão e algum dinheiro para pagar as contas.
Sua casa não via faxina há meses, pois o dinheiro estava realmente curto naqueles dias de outubro do ano de 2004. Sobrevivia com o dinheiro que conseguia fazendo alguns bicos de serviços gerais. Hugo sabia um pouco de eletrônica e mecânica, pois tinha alguns cursos técnicos, herança de seu passado de classe média em Curitiba.
Ele morava há quatro anos em Balneário Camboriú. Mudou-se para lá quando completou 23 anos, em busca de um futuro. Imaginava que trabalhar em uma cidade turística poderia lhe render um bom dinheiro, o suficiente para ir para fora do país e fazer sua vida no exterior. Porém não imaginava que aquela cidade não reservaria para ele um futuro próspero. Nem ao menos um emprego de verão conseguia, pois seu visual “excêntrico” não o enquadrava no perfil de nenhuma das lojas chiques ou de surf existentes na cidade.
Hugo morava em um bairro isolado, por falta de opções para o seu dinheiro. Todos os dias pegava uma balsa, que atravessava um pequeno rio, pois era a única maneira prática de chegar ao centro da cidade. A prefeitura colaborava com a travessia fazendo dela um passeio gratuíto. A cidade dava á Hugo, naquele dia, a possibilidade de reparar o explendor de mais um dia de sol naquela cidade litorânea.
Atravessou o rio como de costume: quieto e observador. Pode inclusive reparar que não havia mais tantas gaivotas naquele lugar como quando se mudou para lá. Questionou por alguns segundos o motivo desse fato, porém logo chegou a outra beirada do rio e desembarcou. Caminhou em direção a orla para que pudesse caminhar olhando para o horizonte, tentando lembrar quais seus planos quando saiu de casa brigado com os pais.
Enquanto andava pela rua, procurando algum cartaz de “precisa-se” no caminho da agência de uma agência de empregos que costumava ir, não pode deixar de reparar em uma jovem garota que estava chorando sentada em um banco a beira mar.
Continua…
( Laços é um livro de ficção que estou escrevendo atualmente. Aos poucos vou colocar aqui os capítulos dessa história. )


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